sábado, 24 de outubro de 2009

- Limite.

Acreditou que pudesse definir tudo, dentro e fora dele, baseou-se em suas experiências, na sua capacidade de distinguir coisas, pessoas e sentimentos.
Tolice.
Guardou coisas dentro de si, como pertences guardados numa gaveta que nunca é aberta. Até que a necessidade o force a ir lá encontrar o que não estava procurando.
Por vezes o que não estamos procurando é o que nos é essencial.
Abriu a gaveta, fitou os pertences e lembrou de como eles já haviam sido importantes e a maneira vã como ele tentou tirar-lhes a relevância.
Alimentou sua hipocrisia de tal maneira que ela poderia o engolir dado seu tamanho e sua força.
Tolice.
Fechou a gaveta e olhou a estante, viu que não se desfez dos livros antigos que estavam há decadas lá, por acreditar que poderiam ser úteis, ainda que não pra ele.
Por vezes é difícil se desprender de algo que soa como necessário, ainda que não pra nós.
Acreditou que pudesse definir tudo, dentro e fora dele, mas percebeu com fatos que suas experiências e sua capacidade de distinguir coisas, pessoas e sentimentos era limitada,


e seu coração tinha chegado ao limite há algum tempo.

domingo, 13 de setembro de 2009

- Ficção, Realidade

Fui indagada com uma sutileza no mínimo educada a escrever coisas menos subjetivas, essas por vezes podem confundir ou simplesmente serem ocas.
Sobre o que não entendemos e, mesmo assim gostamos. Como um quadro a ser admirado, podendo ou não, ter um grande valor.
Pois bem, escreveria eu então sobre coisas concretas, apalpáveis e compartilháveis? Voltaria a era das críticas e indagações?
Emissoras que se comem na luta pelo poder, não importando os meios escusos pra chegar até ele. Se novela sensacionalista, se copo d'água cheio de fé.
O marketing eleitoral repugnante por trás (frente, lados, cima e baixo) da possibilidade das Olimpíadas serem sediadas no Rio de Janeiro, cidade com uma infraestrutura utópica.
Comentaria a crise no Senado (ela existe mesmo?). Teatro de primeira qualidade, atuando o homem com a carreira política mais extensa do País e seus coadjuvantes (ninguém muito importante, pessoas comuns). O protagonista possui um currículo invejado (literalmente). Governou o Maranhão, foi Senador pelo mesmo estado (estado esse em que possui a maior rede de comunicação, por acaso ou não filiada da Rede Globo, mas isso é só um detalhe), Senador também pelo Amapá, Presidente da República e agora pela terceira vez (e parece que infinita): Presidente do Senado Federal, consequentemente do Congresso Nacional. O legal é que o espetáculo sempre acaba com palmas.
Temos também o Pré-Sal, celebridade instantânea da Oposição, Santo Protetor do PT e ponto de interrogação para os cidadãos (porque a maioria não sabe o que é e, muito menos de que forma ele os atingirá).
Finalizo com o novo Patrimônio Cultural Carioca, o Funk. Herança deixada pelos parlamentares sensatos para as próximas gerações. Músicas e eventos cheios de conteúdo socioeducativos.
Confesso que eu poderia escrever sobre qualquer coisa. Os assuntos brotam como sementes lançadas em terra fértil, mas questiono: Isso tudo é real? Esse é mesmo o tipo de realidade que merece ser retratada? Aos que defendem essa posição, meu respeito. Mas eu, eu fiz outra escolha. Minha escolha é escrever o que é verdade dentro de mim, dessa realidade eu não abro mão.

Espero que dê tudo certo na sua ficção viu Lipe.